A declaração publicada por Donald Trump neste sábado, numa mensagem breve, mas direta, reacendeu discussões sobre o nível de tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela. Ao afirmar que o espaço aéreo venezuelano deveria ser considerado fechado, o presidente americano reforçou a percepção de que Washington avalia medidas de maior pressão no ambiente militar e político do Caribe.
A análise de Lourival Sant’anna, exibida no Agora CNN, descreve um cenário em que os planos para um bombardeio ao território venezuelano já estariam prontos. Segundo Lourival, esses ataques chegaram a parecer iminentes na manhã deste sábado. Ele afirmou que a publicação de Trump funcionou como mais um elemento que tornava os bombardeios bastante prováveis.
Em sua mensagem na rede Truth Social, Trump escreveu que companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e de pessoas deveriam considerar o fechamento total do espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela. Na semana anterior, a agência reguladora de aviação dos Estados Unidos havia emitido alertas às principais companhias aéreas, citando o agravamento da situação de segurança e o aumento da atividade militar dentro e ao redor do território venezuelano.
A resposta de Caracas foi imediata. Em comunicado assinado pelo chanceler Yván Gil, a Venezuela condenou o que classificou como ameaça colonialista. O governo afirmou que a declaração de Trump buscava afetar a soberania do espaço aéreo venezuelano e representava um ato ilegal e injustificado. O texto também afirmou que Trump tentava aplicar extraterritorialmente uma jurisdição ilegítima dos Estados Unidos e reiterou que a Venezuela não aceitaria ordens, ameaças ou ingerências de nenhum poder estrangeiro.
O ambiente ganhou ainda mais incerteza após uma movimentação aérea incomum. Um voo registrado pela plataforma ADSB Exchange partiu de Caracas, seguiu até Santa Helena de Huayran, na fronteira com Roraima, e retornou à capital venezuelana. A aeronave já foi usada anteriormente por Nicolás Maduro, o que alimentou especulações sobre uma possível fuga. Até o momento, porém, o comando do Exército brasileiro na região não recebeu qualquer informação sobre movimentações nesse sentido.
Uma reportagem recente do jornal Washington Post levantou a possibilidade de Maduro buscar asilo na Turquia, país com o qual mantém relações estreitas. Lourival observou que, caso a fuga se confirme, será preciso observar a reação dos Estados Unidos, que podem insistir em um pedido de extradição, já que há processos contra Maduro por narcotráfico, corrupção e abuso de direitos humanos. Outra possibilidade seria uma negociação com o país que eventualmente o acolhesse.
Por enquanto, o quadro permanece indefinido. Há sinais de pressão pública dos Estados Unidos, reações de forte condenação por parte do governo venezuelano e movimentos aéreos que alimentam hipóteses de rupturas internas. Lourival ressaltou que o momento é de incerteza e que tanto uma ação militar quanto um movimento diplomático de maior fôlego permanecem como possibilidades abertas.

