Em meados de junho de 2025, uma operação de grande escala lançou bombas sobre instalações nucleares subterrâneas do Irã – Fordow, Natanz e Isfahan – usando como vetor principal o bombardeiro furtivo B-2 Spirit. Autoridades do Pentágono descreveram o ataque – batizado de “Operation Midnight Hammer” – como “o maior ataque operacional com B-2 na história dos EUA”. Sete dessas aeronaves partiram de Whiteman AFB (Missouri) rumo ao Oriente Médio, percorrendo cerca de 35 horas de voo e inúmeros reabastecimentos em pleno ar. Outro grupo de B-2 voou rumo ao Pacífico como distração, enquanto submarinos disparavam dezenas de mísseis Tomahawk contra o alvo em Isfahan pouco antes dos bombardeiros entrarem no espaço aéreo iraniano. O emprego de 14 bombas penetradoras de 13,5 toneladas (GBU-57 “Massive Ordnance Penetrator”, ou MOP) contra Fordow e Natanz, seguido de mísseis em Isfahan, resultou em “danos e destruição extremamente severos” em todas as três instalações. Segundo o Pentágono, nem caças nem sistemas antiaéreos iranianos foram capazes de detectar ou engajar o grupo de ataque, preservando o elemento surpresa durante todo o voo.
Força estratégica contra alvos subterrâneos
A principal razão para usar o B-2 contra Fordow, Natanz e Esfahan foi sua capacidade única de atingir alvos enterrados sob forte proteção. Os sítios iranianos de enriquecimento são abrigos subterrâneos escavados em rocha espessa – por exemplo, Fordow situa-se sob cerca de 80 a 90 metros de granito. Eles são quase inacessíveis a ataques convencionais. O B-2 transporta até 40.000 libras de armamento (cerca de 18 toneladas), incluindo duas bombas MOP de 30.000 libras cada uma, projetadas para perfurar camadas profundas de concreto e solo antes de detonar. Essas bombas são consideradas as únicas armas convencionais capazes de destruir búnkeres como Fordow.

Durante a operação, cada Spirit do bloco avançado lançou dezenas desses explosivos; o Comandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA afirmou que o ataque “arrasou completamente” as instalações nucleares, sem atingir tropas ou civis. Em suma, o B-2 viabilizou uma ofensiva cirúrgica diretamente sobre locais que antes eram considerados praticamente invulneráveis.
Capacidades técnicas do B-2 Spirit
O B-2 Spirit é uma aeronave furtiva de asa voadora com avançada tecnologia de redução de assinatura radar. Seu formato aerodinâmico sem cauda e revestimentos que absorvem ondas eletromagnéticas fazem com que radares adversários “vejam” apenas uma sombra mínima – por isso é apelidado de “Fantasma”. Graças a isso, os Spirits conseguiram sobrevoar silenciosamente o território iraniano sem ser detectados, escapando de radares e sistemas antiaéreos sofisticados. A autonomia também é impressionante: com dois tripulantes e sistema altamente automatizado, o B-2 pode voar cerca de 11.000 km sem reabastecer e até 18.000 km com apoios em voo. Em prática, isso significa atingir alvos do Oriente Médio partindo dos EUA continentais sem pousos intermediários. Seu teto de operação de 15.240 metros mantém-no acima do alcance da maior parte dos mísseis terra-ar antiaéreos.

Além da furtividade e alcance, o B-2 leva uma enorme carga bélica. Com capacidade para transportar 40.000 libras de armas, ele podia levar duas bombas MOP de 13,6 toneladas cada – as mais pesadas do arsenal americano – ou até 16 bombas de menor porte em seu porão interno. Essa combinação de carga maciça e baixo Radar Cross Section permite a destruição de alvos mais protegidos do mundo. Na história de quase três décadas de serviço do B-2, ele participou de apenas quatro campanhas ofensivas decisivas (Kosovo 1999, Afeganistão 2001, Iraque 2003 e Líbia 2011) – sempre empregando cargas poderosas contra alvos fortemente defendidos. A última missão operacional registrada antes desta data havia sido contra células do Estado Islâmico em 2017. O uso em junho de 2025 marca não só o primeiro emprego operacional da bomba MOP em combate, como também o voo de combate mais longo do B-2 desde 2001.
Exclusividade americana e decisividade na operação

No mundo, apenas os Estados Unidos dispõem de bombardeiros furtivos de longa distância como o B-2. Mesmo outros países com caças stealth não têm uma plataforma comparável em alcance, capacidade ou carga. Até meados da década de 2020, o B-2 era único em sua categoria – o novo B-21 Raider nem entrou em serviço plenamente – e o Pentágono possui apenas 19 unidades operacionais dessa aeronave. Nenhum outro país fabrica bombas convencionais de penetração tão pesadas: na verdade, somente o B-2 tem a capacidade comprovada de transportar a bomba MOP de 30.000 libras. Essa exclusividade estratégica foi decisiva para o sucesso da missão. Conforme relatado, “não existe força militar no mundo” capaz de realizar ataque tão profundo e preciso quanto aquele executado pelos B-2 na noite do ataque. Em outras palavras, sem o Spirit não teria sido possível lançar bombas penetradoras diretamente em Fordow e Natanz com alta chance de destruição – e sem exposição, dada a furtividade da aeronave.
Bastidores logísticos e custos operacionais
O emprego do B-2 envolve logística complexa. A frota americana é baseada principalmente na Base Aérea de Whiteman (Missouri), mas pode ser deslocada para bases avançadas quando necessário. Na operação de junho de 2025, aeronaves-tanque e caças de escolta reabasteceram os B-2 por todo o percurso Atlântico e Mediterrâneo. Essa cadeia incluiu ainda escalas encobertas: por exemplo, ao mesmo tempo, vários B-2 estavam estacionados em Diego Garcia (Índico) para cobrir múltiplos vetores de ataque. Na prática, cada Spirit pode voar por cerca de 34 horas contínuas em missão, tal como ocorrido em combates anteriores. A tripulação padrão é de apenas dois pilotos, o que simplifica a gestão da missão.

Tudo isso, porém, não é barato. O desenvolvimento do B-2 na Guerra Fria custou bilhões, e cada unidade vale hoje algo em torno de US$ 1,1 bilhão (valores de programa completo, incluindo suporte logístico). O custo de manutenção por hora de voo é muito alto (frequentemente calculado em dezenas de milhares de dólares por hora). Parte desse investimento é a estrutura especial de manutenção e o pessoal qualificado necessário para manter a furtividade do avião. Em suma, cada missão do B-2 exige esforço conjunto de múltiplas bases, navios e aviões de apoio – um empreendimento caro e delicado, justificado apenas para operações de nível estratégico.
Mensagem dissuasiva e alerta geopolítico
Além da capacidade de destruição física, o simples deslocamento dos B-2 em si envia um recado potente aos adversários dos EUA. A presença de bombardeiros furtivos a poucos milhares de quilômetros do Irã (por exemplo em Diego Garcia) foi interpretada em Washington como parte de um “tom inequívoco dissuasivo”. Analistas destacam que o emprego do Spirit é visto como uma “carta extrema no jogo geopolítico” – usada quando demais opções falham. O secretário de Defesa americano afirmou que a operação demonstra a capacidade global americana de atingir “instalações que nossos adversários achavam inalcançáveis, não importa o quão enterradas ou fortificadas”. Em termos de dissuasão nuclear, o recado é claro: se o Irã perseguir armas atômicas, os EUA têm meios de atingi-lo sob o solo sem aviso. Conforme dito por um oficial americano, a missão ressaltou que a “dissuasão americana está de volta” – quando os EUA falam, o mundo deveria ouvir. O grande potencial dissuasor do B-2 tornou a operação não apenas militar, mas também estratégica e psicológica.
Parceria EUA-Israel na operação subterrânea
O ataque aos sítios nucleares iranianos foi conduzido em sintonia com Israel – que há tempo considera formas de neutralizar alvos subterrâneos como Fordow. Segundo relatos, oficiais israelenses reconhecem que, além de invasão terrestre ou bomba atômica (opções descartadas), o B-2 é “a única plataforma capaz de executar um ataque convencional com chances de sucesso” contra esses alvos. Em outras palavras, Tel Aviv deixou claro que precisava do apoio americano para atingir Fordow sem recorrer a medidas extremas. Washington, por sua vez, manteve inicialmente silêncio público, mas viu na operação um “respaldo operacional” a Israel e um gesto de alto impacto geopolítico. Na prática, isso se traduziu em coleta de inteligência conjunta e coordenação de missões: alguns mísseis de cruzeiro lançados contra Isfahan vieram de submarinos, outros dos B-2, enquanto caças americanos e israelenses cobririam uma ampla cobertura aérea. O resultado foi uma ação sincronizada que destruiu trechos críticos do programa iraniano, combinando a capacidade americana de bombardeiros de longo alcance com o conhecimento de terreno e inteligência israelense.
Em suma, o B-2 Spirit provou ser o “carro-chefe” dessa ofensiva subterrânea, unindo tecnologia furtiva, carga sem precedentes e alcance global. A repercussão foi imediata: o poderio do Spirit foi exibido publicamente como aviso estratégico não só ao Irã, mas a qualquer ator nuclear que ameace desafiar o novo equilíbrio de forças. Nas palavras de um comandante, “quando este presidente fala, o mundo escuta” – e o B-2 é o megafone invisível dessa declaração.
