Conflito Israel-Irã se intensifica com ataque a instalação nuclear iraniana

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Conflito Israel‑Irã — Em Tel Aviv e arredores, moradores refugiavam-se em abrigos quando soaram sirenes de alerta. Aviões israelenses bombardearam alvos no Irã no domingo, parte de uma ofensiva em larga escala iniciada no dia anterior após o disparo de centenas de foguetes iranianos contra cidades israelenses. Em Bat Yam, subúrbio de Tel Aviv, o eletricista Shmuel Bar David avaliava os danos em sua casa: “Eu nunca pensei que ouviria uma explosão tão alta”, contou à televisão local depois de um ataque de mísseis iranianos contra Israel. As autoridades israelenses confirmaram ter abatido a maioria dos projéteis com o sistema de defesa Iron Dome, mas pelo menos 10 pessoas morreram em Israel e dezenas ficaram feridas com a chuva de foguetes.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, confrontado pela maior escalada militar desde 1973, anunciou que “todos os responsáveis pagarão um preço alto”. O Exército de Israel afirmou que uma das represálias foi um ataque contra uma instalação nuclear no complexo de Isfahan, no centro do Irã. Um porta-voz militar israelense divulgou no domingo, pela rede social X, que o país “atingiu uma instalação nuclear em Isfahan” – sem informar o momento exato da operação. O Irã confirmou explosões na região de Isfahan, mas disse que os ataques danificaram apenas um centro relacionado ao Ministério da Defesa local, ainda em investigação pela agência oficial ISNA.

Segundo uma autoridade militar israelense entrevistada pela Reuters, durante os ataques de sábado à noite as forças de Israel atingiram cerca de 80 alvos em Teerã, incluindo duas instalações de combustível de uso dual – úteis tanto para a indústria quanto para fins militares e nucleares – e eliminaram o chefe do Estado-Maior dos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã. “Ainda temos uma longa lista de alvos para atingir no Irã”, afirmou o oficial. Netanyahu afirmou que o objetivo é “destruir qualquer capacidade iraniana de ameaçar Israel”.

Enquanto isso, no território palestino da Faixa de Gaza o clima era de tensão e desespero. O Associated Press reportou que ao menos oito palestinos foram mortos e dezenas ficaram feridos quando tropas israelenses abriram fogo perto de pontos de distribuição de alimentos em Rafah, no sul de Gaza. Milhares de refugiados aguardavam a chegada de suprimentos de ajuda quando foram surpreendidos pelos tiros. Segundo testemunhas, a tropa israelense disparou contra a multidão a centenas de metros dos armazéns de alimentos, dentro de uma zona militar israelense; não houve confirmação oficial do Exército sobre o incidente. A sequência de fogo cruzado entre Israel e o Irã, entretanto, dominava a atenção internacional.

Do lado iraniano, o governo reafirmou que não deseja ampliar o conflito, mas prometeu se defender. O chanceler Abbas Araghchi declarou que “o Irã não quer expandir seu conflito com Israel para países vizinhos, a menos que a situação nos force”. Ele justificou que o país vinha reagindo a agressões estrangeiras e advertiu que, caso elas cessassem, as respostas iranianas também terminariam. A diplomacia, segundo o Irã, seria a solução para evitar mais derramamento de sangue – posição também defendida pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot. Em entrevista à rádio RTL, Barrot afirmou que o programa nuclear iraniano representa uma “ameaça existencial” à segurança de Israel e mesmo da Europa, e que somente a via diplomática “permanece como a melhor forma de conter essa ameaça”.

No setor diplomático, a pequena ilha de Chipre assumiu um papel de intermediária. O presidente cipriota Nikos Christodoulides disse ter recebido pedidos do Irã para transmitir “algumas mensagens” a Netanyahu, embora não revelasse o conteúdo das comunicações. Em declarações à imprensa, ele criticou a União Europeia por reagir lentamente à crise e pediu uma reunião extraordinária dos ministros de Relações Exteriores da UE para discutir a escalada no Oriente Médio. “Não é possível a UE alegar um papel geopolítico diante desses acontecimentos sem convocar, ao menos, o Conselho de Ministros”, afirmou Christodoulides, que também se ofereceu para ajudar na evacuação de estrangeiros da região e apelou para que todas as partes evitem ações que possam agravar ainda mais o conflito.

Em Londres, o governo britânico adotou medidas preventivas. O Foreign Office atualizou os alertas de viagem, recomendando que britânicos evitem viagens a Israel devido ao rápido agravamento da situação e ao risco de ataques de mísseis. No site oficial, o Ministério das Relações Exteriores observou que o “cenário em rápida evolução traz riscos significativos”, e advertiu que seguros de viagem podem ser invalidados caso pessoas decidam viajar contra o conselho. O chanceler David Lammy garantiu que a segurança dos cidadãos britânicos é prioridade máxima diante das hostilidades. E o premiê Keir Starmer confirmou o envio de mais aviões militares ao Oriente Médio: “Estamos deslocando ativos – incluindo caças – para a região, como apoio emergencial, pois a situação se deteriorou”, disse ele em despacho à imprensa.

A ministra das Finanças, Rachel Reeves, repetiu à imprensa que o reforço de forças não significa que o Reino Unido esteja em guerra. Segundo ela, a missão é “precautelar” – reforçar defesas e proteger instalações britânicas locais. Reeves admitiu que Londres pode, no futuro, apoiar Israel, mas enfatizou que a atual mobilização foi decidida principalmente para garantir a proteção dos próprios militares britânicos na região. “Não estamos envolvidos diretamente nos ataques ou no conflito. Mas temos ativos importantes na área, e é justo enviarmos aviões para defendê-los”, explicou.

No fim da tarde, o governo de Israel reafirmou que seu espaço aéreo permanecerá fechado até nova ordem, estendendo a suspensão de voos internacionais pelo terceiro dia consecutivo. A empresa aérea El Al já cancelou diversos voos para cidades europeias, Tóquio e Moscou até 23 de junho devido à escalada nos combates. Os aeroportos civis devem reabrir apenas quando a situação for considerada segura, segundo nota oficial das autoridades de aviação de Israel. Enquanto isso, Cisjordânia, Síria, Líbano, Iêmen e outras nações observam apreensivas o desenrolar dos acontecimentos, com apelos globais por contenção. Apesar dos temores de uma guerra mais ampla, líderes de ambos os lados afirmam estar determinados a “defender seus povos” e evitam recuar. Porém, como destacou Christodoulides, até países distantes podem se ver arrastados para uma crise sem precedentes na região, e a diplomacia segue sendo apontada por muitos como a melhor saída para dissipar o conflito.

Mágson Alves

Mágson Alves

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