EUA apreendem petroleiro sancionado na costa da Venezuela

Tensão entre Washington e Caracas cresce após operação com apoio militar

Os Estados Unidos apreenderam na quarta-feira um petroleiro sancionado nas proximidades da costa venezuelana, segundo declaração do presidente Donald Trump, em uma ação que elevou os preços internacionais do petróleo e intensificou o confronto diplomático com o governo de Nicolás Maduro.

Trump afirmou que o navio, descrito por ele como “um grande petroleiro, o maior de todos os tempos”, foi interceptado enquanto transportava petróleo sancionado pela Venezuela. O presidente, que tem pressionado Maduro a renunciar, disse não saber qual será o destino da carga, acrescentando apenas: “Nós o mantemos, eu acho.” A operação representa a primeira ação conhecida contra um petroleiro desde o acúmulo militar ordenado pelo governo norte-americano na região.

A procuradora-geral Pam Bondi informou em publicação no X que FBI, Departamento de Segurança Interna, Guarda Costeira e militares norte-americanos cumpriram um mandado de apreensão para interceptar o navio, descrito como transportador de petróleo bruto venezuelano e iraniano sujeito a sanções. Bondi divulgou um vídeo de 45 segundos mostrando helicópteros se aproximando da embarcação e agentes armados descendo por cordas.

Autoridades da administração Trump não identificaram o navio. A empresa britânica de análise de riscos marítimos Vanguard afirmou acreditar que o petroleiro apreendido seja o Skipper, sancionado pelos EUA por envolvimento no comércio de petróleo iraniano quando operava sob o nome Adisa. Segundo dados de satélite analisados pelo TankerTrackers.com e registros internos da estatal PDVSA, o Skipper deixou o terminal de José entre 4 e 5 de dezembro, carregado com aproximadamente 1,1 milhão de barris de petróleo bruto pesado Merey.

A notícia da apreensão teve impacto imediato no mercado internacional. Os futuros do Brent avançaram 27 centavos, encerrando o dia a US$ 62,21 por barril, enquanto os futuros do West Texas Intermediate subiram 21 centavos, fechando em US$ 58,46 por barril.

Maduro participou de uma marcha em Caracas na quarta-feira para marcar uma data militar, sem comentar publicamente o episódio. Apesar da pressão crescente de Washington, os EUA não haviam interferido diretamente no fluxo de exportações de petróleo venezuelano, que no mês anterior atingira média superior a 900 mil barris por dia, impulsionada pela importação de nafta para diluição do petróleo extra pesado.

A Venezuela tem oferecido descontos maiores à China, seu principal comprador, em razão da concorrência crescente do petróleo sancionado da Rússia e do Irã. Analistas apontam que a apreensão adiciona risco geopolítico ao mercado, mas não altera imediatamente o nível de oferta, já que o carregamento permaneceria em trânsito por semanas.

A Chevron, parceira da PDVSA e responsável por todas as exportações venezuelanas de petróleo bruto destinadas aos EUA, declarou que suas operações seguem normalmente. As remessas para o mercado norte-americano aumentaram em novembro para cerca de 150 mil barris por dia, ante 128 mil no mês anterior.

O governo Maduro acusa os Estados Unidos de usarem o reforço militar na região para tentar derrubá-lo e assumir o controle das reservas de petróleo do país. Desde setembro, os EUA realizaram mais de 20 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, operações que resultaram em mais de 80 mortes e levantaram questionamentos legais sobre o uso de força letal sem evidências públicas substanciais.

As preocupações se intensificaram após relatos de que o comandante responsável teria ordenado um segundo ataque que matou dois sobreviventes. Um levantamento da Reuters/Ipsos divulgado na quarta-feira indica que grande parte dos norte-americanos se opõe à campanha militar de ataques a barcos, incluindo aproximadamente um quinto dos republicanos.

Em documento estratégico publicado na semana anterior, Trump afirmou que a prioridade de sua política externa é reafirmar a liderança dos EUA no Hemisfério Ocidental, reforçando o alinhamento de sua administração com medidas de pressão direta sobre o governo venezuelano.

Mágson Alves

Mágson Alves

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