Passos rumo ao bloqueio
Em 22 de junho, o Parlamento do Irã aprovou uma proposta para fechar o Estreito de Ormuz, importante corredor marítimo utilizado por aproximadamente 20% do embarque diário de petróleo e gás global. A medida, contudo, ainda depende da autorização final do Conselho Supremo de Segurança Nacional, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei e composto pela cúpula militar e diplomática do país.
O parlamento justificou a proposta como retaliação direta aos bombardeios dos Estados Unidos a suas instalações nucleares — Fordow, Natanz e Isfahan — ocorridos no dia anterior. Segundo o comandante Esmail Kosari, há “amplo consenso” na Casa sobre a medida, mas ela será implementada somente quando “se fizer necessária”.
Impactos para o mercado global
O Estreito de Ormuz tem um papel central no mercado energético: cerca de 17 a 20 milhões de barris diários passam por ali — valor equivalente a 20% do fluxo mundial —, além de grande parte do comércio de gás natural liquefeito .
Analistas estimam que um bloqueio efetivo poderia elevar o preço do barril de US$ 80 para entre US$ 130 e US$ 150, prejudicando as economias importadoras, especialmente na Ásia (Índia, China, Japão, Coreia do Sul). Além disso, o custo de frete marítimo aumentaria significativamente, pressionando ainda mais os mercados financeiros .
Viabilidade do fechamento
Embora o parlamento tenha aprovado a proposta, não há precedentes de bloqueio completo do estreito em situações de guerra, mesmo durante conflitos passados como a Guerra Irã-Iraque. O governo argumenta que qualquer medida só será implementada após avaliação do Conselho Supremo, que deve considerar os efeitos para a economia nacional e a reação internacional.
Especialistas ressaltam que o Irã depende do estreito para suas próprias exportações, além de correr o risco de uma resposta militar direta da Marinha dos EUA, que mantém a Quinta Frota no Golfo com mandato para defender o tráfego civil.
Pressão diplomática imediata
- Estados Unidos: o secretário de Estado Marco Rubio pediu à China que pressione o Irã a não fechar a rota, classificando qualquer tentativa como “suicídio econômico” para Teerã, embora minimizando o impacto direto nos EUA.
- China e Índia, grandes compradores do petróleo do Golfo, foram instados a intervir e divulgaram preocupação diplomática com os possíveis efeitos negativos para suas economias .
- Europa e ONU emitiram alertas semelhantes sobre possíveis “consequências graves para a segurança energética global” e pediram ao Irã que respeite as normas internacionais .
Consequências e cenários futuros
- Aumento dos preços de energia – impacto direto na inflação global.
- Tensão militar naval – presença americana reforçada no region; risco de incidentes com navios iranianos.
- Resposta jurídica internacional – o bloqueio desrespeita os princípios da liberdade de navegação, previstos no direito marítimo global.
- Possível retaliação de aliados árabes do Irã – países como Arábia Saudita e Emirados podem buscar medidas militares ou diplomáticas imediatas.
O Legislativo iraniano movimenta-se para usar o Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão política e militar. Embora ainda seja uma medida pendente de aprovação final, a decisão criará ondas geopolíticas e econômicas profundas. O mundo observa com apreensão o desenrolar das negociações entre o parlamento local, o Conselho Supremo iraniano e a reação global — principalmente de EUA, China e Índia. O risco de curto prazo é uma crise energética, e no médio prazo, a rota marítima mais sensível do planeta pode se converter em um ponto de atrito militar direto.

