Em 22 de junho de 2025, o Irã deflagrou uma resposta sem precedentes contra Israel: pelo menos 27 mísseis balísticos foram lançados contra alvos civis e militares israelenses. O ataque ocorreu na madrugada de domingo, poucas horas após o presidente dos EUA anunciar que caças e bombardeiros americanos haviam atacado as três principais instalações nucleares do Irã — Natanz, Isfahan e Fordow — destruindo grande parte de sua estrutura subterrânea. Os projéteis iranianos partiram de território nacional, cruzaram o espaço aéreo de países vizinhos — incluindo a Jordânia e a Cisjordânia ocupada — e acionaram sirenes de alerta em Jerusalém, Tel Aviv e outras cidades israelenses.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), a maior parte dos mísseis foi interceptada com sucesso pelos sistemas de defesa aérea do país, especialmente o “Domo de Ferro” e o “David’s Sling”. No entanto, fragmentos de projéteis derrubados causaram danos materiais em áreas residenciais de cidades como Tel Aviv, Nes Ziona e Rishon LeZion, além de incêndios em estruturas civis. As autoridades locais confirmaram que pelo menos 86 pessoas ficaram feridas, a maioria com lesões leves por estilhaços e quedas durante a evacuação. Não houve registro de mortes até o momento, e nenhum alvo estratégico como o aeroporto Ben Gurion ou o porto de Haifa foi diretamente atingido.
Reações oficiais
O governo israelense condenou o ataque como um “ato direto de agressão” do Irã contra civis, e prometeu responder de forma proporcional caso novas investidas ocorram. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que “o mundo precisa escolher entre a barbárie dos aiatolás e a civilização democrática”. O assessor de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, declarou que os Estados Unidos estão “em alerta máximo” e que “ações adicionais estão sobre a mesa” caso a escalada continue. O presidente Donald Trump, em nova postagem na Truth Social, disse que “Israel tem todo o direito de se defender” e reiterou que “o Irã não terá armas nucleares sob sua vigilância”.
Impacto humanitário e material
Embora a maioria dos mísseis tenha sido interceptada, os que escaparam causaram danos urbanos. 86 civis ficaram feridos, e foram registrados incêndios e destruição leve em bairros residenciais. Equipes de resgate atuaram ao longo da madrugada e manhã de domingo. Sirenes de emergência foram ativadas em praticamente todas as grandes cidades israelenses, incluindo Jerusalém, Tel Aviv e Haifa. Escolas, universidades e serviços públicos foram suspensos temporariamente.
Estratégia militar e riscos regionais
Os mísseis usados pelo Irã — como os Khorramshahr‑4 (Kheibar Shekan) — demonstraram precisão considerável e alcance suficiente para atingir o centro de Israel a partir do território iraniano, mesmo após cruzar regiões monitoradas como a Jordânia e a Cisjordânia. A capacidade de manobra desses projéteis levanta preocupações sobre a eficácia das defesas em longo prazo. O ataque também evidenciou uma nova fase do confronto, em que o Irã passou a assumir publicamente ações ofensivas diretas, rompendo com décadas de confrontos indiretos ou por meio de milícias aliadas.
Legalidade internacional e precedentes
Segundo especialistas, tanto os bombardeios preventivos dos EUA quanto os mísseis lançados pelo Irã não têm amparo legal no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que prevê o uso da força apenas em legítima defesa após ataque armado. A doutrina de “ataque preventivo” é considerada juridicamente frágil e perigosa. O jurista australiano Donald Rothwell afirmou que “é praticamente impossível justificar legalmente os ataques” realizados por Washington. Organizações internacionais alertam para o precedente preocupante: se grandes potências ignoram o direito internacional, outras nações podem seguir o mesmo caminho para legitimar conflitos armados.
A posição internacional
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou a troca de ataques como “uma perigosa escalada” e pediu contenção de ambos os lados. Nações europeias e países árabes moderados solicitaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Enquanto isso, a Organização da Cooperação Islâmica (OIC) declarou apoio ao Irã e pediu o fim das hostilidades israelenses.
O mundo islâmico está dividido: regimes alinhados aos EUA condenaram a retaliação iraniana, enquanto potências como Turquia, Paquistão e Qatar expressaram preocupação com os ataques liderados pelos EUA e Israel. O isolamento diplomático do Irã, embora significativo, não é completo.
Escalada e próximos movimentos
Grupos aliados ao Irã — como o Hezbollah no Líbano e os Houthi no Iêmen — já anunciaram que podem se juntar ao confronto. Israel colocou todas as regiões do país sob “alerta essencial”, suspendendo atividades civis e ordenando o fechamento de escolas e serviços públicos não emergenciais. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, foi citado como possível alvo de retaliação, o que colocaria o mercado de energia global sob risco. Economistas preveem instabilidade duradoura caso o conflito atinja rotas comerciais.
O Oriente Médio volta ao centro das atenções geopolíticas com a maior troca direta de ataques entre Irã, Israel e Estados Unidos em décadas. O envolvimento norte-americano — antes indireto — agora é frontal. A retaliação iraniana, embora limitada, sinaliza que o país não recuará facilmente diante da pressão internacional. Com sistemas de defesa testados ao limite, alianças regionais tensas e declarações agressivas de todas as partes, o risco de um conflito de larga escala se torna mais real. A margem para diplomacia se estreita a cada novo míssil lançado.

