Maduro volta a dançar pela paz enquanto pressão dos EUA se intensifica

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, retomou nesta segunda-feira um gesto público que tem repetido nas últimas semanas: usar a música para pedir distensão com os Estados Unidos. Durante um evento em Caracas, em 1º de dezembro, o líder chavista voltou a dançar um música divulgada no fim de novembro, cuja letra defende a paz e afirma que a Venezuela não deseja “uma guerra no Caribe ou na América do Sul”.

O apelo ocorre em meio à escalada de tensão com Washington. No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o fechamento unilateral do espaço aéreo venezuelano e sinalizou que poderia ampliar a ofensiva com operações militares no território do país sul-americano.

A medida foi adotada após expirar, na sexta-feira, um prazo estabelecido por Trump em uma ligação telefônica com Maduro no dia 21 de novembro. Segundo quatro fontes informadas sobre a conversa, o presidente norte-americano disse que o venezuelano teria uma semana para deixar o país com seus familiares, sob o que chamou de passagem segura. Washington não reconhece Maduro como presidente legítimo desde a reeleição contestada de 2018.

Na ligação, de menos de 15 minutos, Maduro teria solicitado anistia legal total, remoção de sanções, encerramento de um processo no Tribunal Penal Internacional e suspensão das restrições impostas a mais de 100 autoridades venezuelanas. Ele também pediu que a vice-presidente Delcy Rodríguez conduzisse um governo interino antes de novas eleições, segundo duas das fontes. Trump rejeitou a maior parte das solicitações.

A ofensiva dos EUA na região se sustenta na acusação de que Maduro é o chefe do Cartel de los Soles, reclassificado recentemente por Washington como organização terrorista internacional. A definição abre brechas legais para ações militares além das fronteiras norte-americanas sob o argumento de combate ao terrorismo. O governo dos EUA aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro e mantém recompensas de US$ 25 milhões para outros altos funcionários, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello. Todos negam envolvimento com tráfico de drogas ou outras acusações.

O governo venezuelano afirma que as denúncias fazem parte de uma campanha para justificar uma mudança de regime e tomar o controle dos recursos naturais do país. Após o fechamento do espaço aéreo, Maduro se dirigiu a manifestantes e declarou “lealdade absoluta” ao povo venezuelano.

Apesar do impasse, assessores em Washington discutem a possibilidade de novos caminhos diplomáticos. Uma fonte informada sobre as conversas internas não descartou uma saída negociada, embora reconheça divergências significativas e pontos ainda indefinidos. Três fontes afirmam que o regime venezuelano solicitou outra ligação com Trump.

Enquanto isso, a tensão permanece elevada. As ações recentes dos EUA incluem ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e ameaças de ampliar operações para o interior da Venezuela. Washington afirma que sua estratégia busca interromper atividades do cartel apontado como responsável por rotas internacionais de narcotráfico.

Maduro segue negando todas as acusações e utilizando atos públicos para transmitir mensagens de resistência. No evento em Caracas, a apresentação musical o retratava como símbolo de paz. A iniciativa ocorre no momento em que o governo venezuelano tenta responder à pressão diplomática, econômica e militar que se intensificou ao longo dos últimos meses.

Mágson Alves

Mágson Alves

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