STF condena Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado

Ex-presidente foi considerado líder de organização criminosa que planejou romper a ordem democrática; julgamento da dosimetria das penas ainda está em andamento
Bolsonaro
Foto: LULA MARQUES/AGÊNCIA BRASIL

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (11), o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A decisão integra o julgamento da Ação Penal (AP) 2668, que apura a atuação do chamado “Núcleo 1” ou “Núcleo Crucial” da tentativa de ruptura institucional ocorrida no país. Outros sete ex-integrantes do alto escalão do governo também foram condenados.

Por maioria de 4 votos a 1, os ministros entenderam que Bolsonaro liderou uma organização criminosa armada, estruturada e hierarquizada, responsável por disseminar ataques ao sistema eleitoral, fomentar uma crise institucional e tentar impedir a alternância de poder após as eleições de 2022. A sessão prossegue com a fase de dosimetria, na qual serão definidas as penas de cada condenado.

Organização criminosa e tentativa de golpe

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo executou um plano progressivo para desacreditar as urnas eletrônicas, atacar o Judiciário e incitar parte da população contra as instituições democráticas. A ofensiva resultou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas.

Além de Bolsonaro, foram condenados: Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF), Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).

Sete réus — incluindo Bolsonaro — foram considerados culpados por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Votos dos ministros

Os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino votaram pela condenação na última terça-feira (9). Luiz Fux apresentou voto divergente na quarta (10), propondo a condenação parcial de apenas dois réus e a absolvição dos demais. Nesta quinta (11), os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam integralmente o relator, formando a maioria de 4 a 1 pela condenação.

Fundamentação da decisão

Para a ministra Cármen Lúcia, a tentativa de golpe foi resultado de um processo iniciado ainda em 2021, que visava “semear o grão maligno da antidemocracia” e criar um ambiente de radicalização política e social. Segundo ela, a PGR comprovou que Bolsonaro liderou uma estrutura criminosa que atacou as instituições para minar a confiança no sistema eleitoral e justificar uma ruptura do regime democrático.

O ministro Cristiano Zanin reforçou que o grupo tinha um projeto de poder sustentado por atos ilícitos e usava táticas de intimidação e desinformação para constranger autoridades e tentar impedir a posse do presidente eleito. Para Zanin, responsabilizar criminalmente os envolvidos é essencial para a pacificação social e a consolidação do Estado Democrático de Direito.

Mágson Alves

Mágson Alves

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