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Conselho de Segurança da ONU convoca reunião de emergência enquanto Maduro comparece a tribunal federal
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve realizar uma reunião de emergência nas próximas horas, em meio à apresentação de Nicolás Maduro diante de um juiz federal nos Estados Unidos e após relatos de ataques em grande escala em Caracas, na Venezuela.
A reunião foi solicitada pelo governo venezuelano e contou com o apoio de dois membros permanentes do Conselho de Segurança, Rússia e China, segundo informações diplomáticas.
Em uma carta datada de 3 de janeiro, enviada à presidência do conselho, a Venezuela acusou os Estados Unidos de conduzirem uma série de “ataques armados brutais, injustificados e unilaterais” contra alvos civis e militares em território venezuelano. No documento, o governo afirma que as ações representam uma violação direta da Carta das Nações Unidas.
O pedido ocorre no mesmo dia em que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se apresentaram a um tribunal federal em Manhattan, onde autoridades norte-americanas dão andamento a um processo criminal que envolve acusações de narcoterrorismo e outros crimes federais.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e sua esposa, Cilia Flores, chegaram nesta segunda-feira a um tribunal federal em Manhattan, onde a lista completa de acusações contra ele deve ser formalmente lida ainda hoje, segundo informações divulgadas pela BBC.
A promotoria dos Estados Unidos acusa Maduro e outros líderes venezuelanos de, ao longo de mais de 25 anos, terem abusado de cargos de confiança pública e corrompido instituições estatais para facilitar a importação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. De acordo com a acusação, essas ações envolveram a utilização sistemática de estruturas governamentais para proteger e viabilizar operações do tráfico internacional de drogas.
Segundo o Departamento de Justiça, Maduro e seus aliados teriam fornecido cobertura policial e apoio logístico a organizações criminosas de grande porte, incluindo o Cartel de Sinaloa, do México, e a gangue Tren de Aragua. Em troca, essas organizações teriam repassado parte de seus lucros a funcionários venezuelanos de alto escalão responsáveis por garantir proteção institucional às atividades ilícitas.
A acusação detalha ainda que Maduro é suspeito de vender passaportes diplomáticos venezuelanos a traficantes de drogas conhecidos e de facilitar voos sob cobertura diplomática para transportar recursos provenientes do narcotráfico do México de volta à Venezuela. Essas operações, segundo os promotores, teriam ocorrido como parte de um esquema estruturado para ocultar a origem e o destino dos recursos.
Maduro foi indiciado em quatro acusações federais: conspiração de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos. O processo foi apresentado pelo Escritório do Procurador do Distrito Sul de Nova York, uma divisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos conhecida por conduzir casos complexos e de grande repercussão internacional.
A mesma promotoria já havia apresentado uma acusação contra Maduro em 2020, com as mesmas quatro imputações criminais. A versão atualizada da denúncia, tornada pública no sábado, inclui novos detalhes sobre os supostos esquemas e acrescenta co-réus, entre eles a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores.
Flores é acusada de ordenar sequestros e assassinatos e de ter aceitado subornos em 2007 para organizar uma reunião entre traficantes de drogas e o então diretor do Escritório Nacional Antidrogas da Venezuela, de acordo com a acusação apresentada pelas autoridades norte-americanas.

