BANGKOK – Um violento terremoto de 7,7 na escala Richter abalou esta sexta-feira o sudeste asiático, com epicentro localizado próximo a Sagaing, a apenas 17 quilômetros de Mandalay, em Mianmar. O sismo, ocorrido às 12h50 (horário local) e com hipocentro a 10 km de profundidade, desencadeou uma onda de pânico em diversas cidades da região, especialmente em Mianmar e na capital tailandesa, Bangkok.
Em Mianmar, onde a instabilidade política e a crise humanitária já agravam o cotidiano da população, os danos foram severos. Edifícios históricos e estruturas centrais, como o antigo palácio de Mandalay, sofreram danos significativos. Testemunhas relataram o colapso de um prédio de cinco andares e a destruição completa de um ponte em Sagaing. Em Taungoo, uma mesquita desabou no momento em que fiéis rezavam, resultando em três vítimas fatais. Em Aung Ban, a queda de um hotel provocou a morte de dois ocupantes, elevando o total de mortos em Mianmar para cinco. As autoridades militares, que já governam o país sob estado de emergência desde 2021, mobilizaram equipes de resgate, embora as dificuldades de acesso e a infraestrutura precária tornem as operações lentas e arriscadas.
Em Bangkok, a tragédia assumiu contornos dramáticos. Um prédio em construção, localizado na movimentada área do mercado de Chatuchak, ruiu repentinamente, matando três operários e deixando, de acordo com informações oficiais, cerca de 80 pessoas presas sob os escombros. Segundo relatos, o canteiro de obras abrigava aproximadamente 320 trabalhadores no momento do colapso, que ocorreu em poucos segundos, mergulhando a região em um cenário de caos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a água de uma piscina no terraço do edifício transbordando e uma multidão desesperada buscando abrigo nas ruas. O vice-primeiro ministro tailandês classificou o episódio como “um evento sem precedentes em Bangkok no último século”. As operações de resgate continuam, enquanto equipes de emergência, apoiadas por autoridades locais, tentam estabilizar a situação em meio a réplicas que se sucederam ao longo das horas seguintes.
O sismo foi sentido também em áreas do sul da China, nas províncias de Yunnan e Guangxi, onde moradores saíram de seus lares para verificar os danos, embora não haja relatos confirmados de vítimas nessa região. Em Bangkok, autoridades ordenaram a evacuação de prédios e o cancelamento temporário das atividades do sistema de transporte público para evitar maiores tragédias, enquanto a população é orientada a permanecer em espaços abertos até que o risco de novas réplicas seja descartado.
Especialistas apontam que a região é historicamente propensa a abalos tectônicos, sobretudo em Mianmar, onde a pressão entre as placas do subcontinente indiano e a euroasiática tem gerado sismos de alta magnitude. O terremoto de hoje, considerado um dos mais fortes em mais de 100 anos, evidencia a necessidade urgente de modernização das infraestruturas e de políticas eficazes de prevenção de desastres, especialmente em áreas onde conflitos e instabilidade somam-se aos riscos naturais.
Enquanto as equipes de resgate lutam contra o tempo para localizar e salvar vítimas, a comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos da tragédia. Em ambos os países, os relatos de pânico e os danos generalizados ressaltam a vulnerabilidade da região diante dos caprichos da natureza, exigindo uma resposta coordenada e humanitária que transcenda as fronteiras políticas.
A tragédia deste dia ficará marcada na memória de milhares de pessoas que viveram, em primeira mão, o terror de um terremoto que abalou não apenas estruturas, mas toda uma sociedade em busca de segurança e esperança em meio ao caos.
