A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (24) investigações para apurar responsabilidades no desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que conecta Estreito (MA) a Aguiarnópolis (TO). A tragédia, ocorrida no último fim de semana, resultou na morte de quatro pessoas, enquanto outras 13 permanecem desaparecidas.
Segundo informações oficiais, ao menos oito veículos caíram no rio Tocantins, incluindo caminhões que transportavam cargas perigosas, como ácido sulfúrico e pesticidas. O impacto ambiental do incidente também está sendo investigado.
Perícias e Operações
A investigação está sendo conduzida pelas superintendências da Polícia Federal no Maranhão e no Tocantins. “Um procedimento investigativo foi instaurado, e equipes estão no local para coletar dados e evidências, além de avaliar as perícias necessárias e equipamentos técnicos para aprofundar as apurações”, informou a PF.
Especialistas do Instituto Nacional de Criminalística, incluindo engenheiros civis e peritos ambientais, foram mobilizados para a Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz (MA) e devem auxiliar na análise técnica do desabamento e dos danos ambientais.
Histórico de Problemas
Construída na década de 1960, a ponte JK é parte essencial do corredor rodoviário Belém-Brasília, sendo vital para o transporte de cargas. No entanto, problemas estruturais foram detectados há anos. Um relatório do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), de 2020, apontava fissuras e rachaduras graves nos pilares, além de variações geométricas que comprometiam a estabilidade da estrutura.
Entre os destaques do documento estão danos nos blocos dos pilares e rachaduras detectadas no vão principal da ponte. Apesar das recomendações para recuperação e reforço estrutural, as obras não avançaram.
Em maio deste ano, o DNIT abriu um processo licitatório para reformar a ponte, mas o projeto não foi executado. O termo de licitação alertava para “vibrações excessivas” e desgaste, considerando as normas atuais de segurança insuficientes para manter a integridade da estrutura.
Danos ambientais e riscos à saúde
A queda da ponte também trouxe preocupações ambientais. Mais de 70 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de agrotóxicos caíram no rio Tocantins. Amostras da água foram coletadas por órgãos federais, e o Ministério Público Federal apura os danos ambientais.
Embora ainda não se saiba se houve vazamento, o governo do Maranhão pediu que prefeituras e moradores evitem usar a água do rio. A Agência Nacional de Águas e Saneamento estima que 18 cidades podem ser afetadas.
Medidas emergenciais
O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou a liberação de R$ 100 milhões para reconstruir a ponte. Uma nova estrutura, segundo ele, será entregue em 2025, com melhorias para garantir segurança e operação.
“Essa ponte é fundamental para o transporte e a economia da região. Vamos reconstruí-la com todas as condições necessárias para que episódios como esse não se repitam”, afirmou o ministro.
Próximos passos
As investigações da Polícia Federal e as análises técnicas prometem trazer respostas sobre as causas do desabamento e responsabilidades. O incidente reforça o debate sobre a necessidade de manutenção preventiva e investimentos em infraestrutura no Brasil.
Moradores da região e usuários da BR-226 agora aguardam não apenas a reconstrução da ponte, mas também mudanças que garantam maior segurança no futuro.


[…] desabamento da Ponte JK, localizada entre os estados do Maranhão e Tocantins, deixou um rastro de destruição. O […]