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O ditador venezuelano Nicolás Maduro será apresentado perante um tribunal federal na cidade de Nova York às 12h (horário do leste dos EUA) desta segunda-feira, anunciaram as autoridades.
Maduro enfrenta múltiplas acusações, incluindo conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados a armas, após sua captura em uma ousada operação militar dos EUA.

O The New York Times e o Washington Post souberam do ataque secreto do governo dos EUA para sequestrar o presidente venezuelano Nicolás Maduro antes que acontecesse, mas não publicaram o que sabiam “para evitar colocar em risco as tropas dos EUA”, relata Semafor.
O New York Times e o Post sabiam do ataque, aprovado por Donald Trump na sexta-feira à noite, pouco antes de estar programado para começar. Mas as redações e a administração Trump estavam em contato e que o governo pediu aos jornais que adiem suas reportagens, diz o relatório Semafor.
Mais de 40 venezuelanos foram mortos na operação e alguns funcionários dos EUA ficaram feridos, anunciaram as autoridades dos EUA e Venezuela.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá enfrentar consequências mais severas do que o presidente capturado Nicolás Maduro caso não atenda às exigências impostas por Washington, em meio à escalada de ações e declarações do governo americano contra Caracas.
Trump fez as declarações em uma breve entrevista por telefone à revista The Atlantic, enquanto se deslocava para jogar golfe na Flórida. Segundo ele, Rodríguez deve cumprir demandas que incluem o fim do envolvimento do governo venezuelano em operações de contrabando de drogas classificadas pelos EUA como “narcoterrorismo”, o afastamento de aliados considerados adversários de Washington — como Cuba, Irã e representantes militantes ligados ao Hezbollah — e a aceitação de maior supervisão americana sobre as operações de petróleo do país.
“Se ela não fizer o que é certo, ela vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, disse Trump durante a entrevista. O presidente não detalhou quais seriam essas consequências nem esclareceu comentários feitos no sábado, quando afirmou que os Estados Unidos iriam “administrar” a Venezuela.
As declarações provocaram reação imediata de autoridades americanas e governos estrangeiros. No domingo, figuras republicanas de alto escalão, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, passaram a se distanciar publicamente da ideia de uma administração direta dos EUA sobre o país sul-americano.
Rubio também tentou diferenciar a ação militar recente dos Estados Unidos na Venezuela de intervenções realizadas nas últimas décadas. Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, ele afirmou que, embora existam semelhanças com outras operações, o contexto seria distinto. Segundo o secretário, a Venezuela estaria inserida em uma dinâmica específica do Hemisfério Ocidental, marcada, segundo ele, pela aproximação do governo venezuelano com o Irã, com o Hezbollah e pela atuação de redes de narcotráfico a partir de seu território.
As ações americanas e as declarações de Trump geraram forte reação regional. Os governos da Espanha, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai divulgaram uma declaração conjunta expressando “profunda preocupação” com o que classificaram como a gravidade dos eventos em curso na Venezuela. O documento afirma que as ações dos Estados Unidos constituem um precedente perigoso para a paz e a segurança regional e colocam a população civil em risco.
No texto, os seis países rejeitam operações militares unilaterais em território venezuelano, apontando que tais medidas violam princípios fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso ou da ameaça de força e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados. A declaração também defende que a crise venezuelana seja resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio de diálogo, negociação e de um processo político inclusivo conduzido pelos próprios venezuelanos, sem interferência externa.
Em referência direta às afirmações do governo Trump sobre administrar a Venezuela e supervisionar sua produção de petróleo, os países manifestaram preocupação com qualquer tentativa de controle, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, classificando tais iniciativas como incompatíveis com o direito internacional e potencialmente desestabilizadoras para a região.
O posicionamento regional também reforça o compromisso da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, construída sobre a não intervenção e a resolução pacífica de disputas, e pede a atuação do secretário-geral das Nações Unidas e de outros mecanismos multilaterais para reduzir as tensões e preservar a estabilidade regional.
As ações dos EUA na Venezuela vêm sendo comparadas por analistas a intervenções anteriores conduzidas por Washington, como a invasão do Iraque em 2003, quando os Estados Unidos derrubaram o governo de Saddam Hussein sob a justificativa de eliminar armas de destruição em massa e supostos vínculos com grupos terroristas. O governo americano, no entanto, rejeita paralelos diretos e sustenta que a situação venezuelana representa um caso distinto dentro de sua política externa atual.


