Flávio questiona Lula em debate da Globo sobre uísque que teria sido dado por Vorcaro

Candidato do PL citou reportagem da Veja sobre garrafa avaliada em cerca de R$ 500 mil e depois pediu ao STF que o presidente seja investigado

Durante o debate da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter recebido uma garrafa de uísque de cerca de R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso. Flávio fez referência a uma reportagem da revista Veja, segundo a qual mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro deu ao presidente um Macallan 1945.

Lula rebateu dizendo que o adversário “criou um banqueiro” e que ele, Lula, “fez ele prisioneiro”. Em outro momento do debate, o presidente se referiu ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, pai de Flávio. O senador negociou diretamente com Vorcaro um contrato de cerca de R$ 134 milhões para bancar a produção. Flávio diz que sua relação com o banqueiro foi a de “um investidor com um filme privado”.

No mesmo dia, o candidato levou o tema ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em petição encaminhada ao ministro André Mendonça, Flávio pediu que Lula seja investigado pelo suposto presente. O documento cita mensagens encontradas no celular de Vorcaro e divulgadas pela Veja, segundo as quais a garrafa seria um Macallan 1945, avaliado em mais de R$ 500 mil.

Flávio argumenta que o suposto presente não pode ser tratado como uma simples cortesia, porque teria sido dado por um empresário com negócios e interesses pendentes no governo federal e no Banco Central. Para o senador, o valor da bebida pode caracterizar vantagem indevida.

“Não se trata, portanto, de gesto de afeto entre conhecidos. Trata-se de vantagem de expressivo valor econômico, ofertada ao Chefe do Poder Executivo por particular com interesses diretos perante a Administração Pública Federal, circunstância que, por si só, reforça a necessidade de instauração de Inquérito Originário para a sua completa apuração”, diz o texto.

Com base nas mensagens que, segundo ele, indicam que Lula agradeceu pelo presente, o candidato defende que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue se houve favorecimento ou troca de influência envolvendo o banco.

Como a CNN já havia mostrado, o advogado Walfrido Warde, que integrava a defesa de Vorcaro, aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal como articulador de uma tentativa de aproximação do então banqueiro com o governo Lula. Nas conversas por WhatsApp, o advogado expõe a construção de uma interlocução para que o presidente recebesse Vorcaro. Em um dos trechos, Warde afirma que Lula ficou grato por um uísque dado pelo banqueiro.

Questionado sobre o presente, Lula disse não saber se o recebeu. “Se ele me deu uísque, já bebi. Eu não fico contando quem me dá uísque”, afirmou em entrevista ao Canal Livre, da TV Band. Em outra declaração à imprensa, relatada pela CNN, disse: “Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei me deu, mas se deu já bebi, pode ficar certo”.

Mágson Alves

Mágson Alves

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