Estamos na iminência do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil e pela primeira vez, poderemos experimentar uma reviravolta, uma virada. Essa virada, por mais que historicamente seja uma novidade, não é estranha por conta do contexto que experimentamos hoje.
Temos duas opções: uma delas é a via petista, de um PT que já é experimentado no país através do Lula. O que essa via petista oferece ou pretende manter em continuidade? Programas sociais e um pacto social com a elite econômica, que garante alguma coisa para as classes subalternas, enquanto garante a maior parte para o andar de cima. Temos também, de algum modo, a continuidade de uma pacificação do país, que é o que a gente chama de pauta progressista: todos os grupos sociais e culturais sendo amparados pelo governo progressista do PT.
É um governo que experimenta crescimento econômico, todas as vezes em que está no poder e, na medida em que há crescimento econômico, experimenta distribuição de renda. É um governo muito criticado por conta do gasto, porque política social e investimento público se fazem com gasto. É um governo que sofre muito a crítica de extrapolar os limites fiscais e gastar além do teto, apesar de ter cumprido minimamente metas estabelecidas desde o início.
Do outro lado, temos a via da extrema-direita, que nós, progressistas, costumamos também chamar de via nazi-fascista — e com razão, a partir de argumentos que defendemos. É uma via extremamente conservadora nos costumes e que quer ampliar esse conservadorismo para a totalidade da sociedade. É uma via que expressa um moralismo de fachada, porque os proponentes dela, no geral, estão todos envolvidos nos grandes esquemas de corrupção do país.
Veja o contexto do Vorcaro, que põe um ministro do Supremo num quarto com cinco ou seis gatotas, e o próprio representante dessa candidatura também está envolvido em esquemas de pegar dinheiro para gravar filme de pai e outras coisas. É também uma pauta de entreguismo, na medida em que é muito alinhada com os Estados Unidos e acredita que a soberania nacional envolve pegar as nossas riquezas e entregá-las gratuitamente para o capitalismo central.
Podemos, então, nesse sentido, experimentar uma reviravolta. Uma coisa inédita neste segundo turno, inclusive, é a capacidade do PT ou da esquerda de ampliar a presença no espaço virtual. A gente viu o Janones encabeçando essa reviravolta. Foi noticiado que o PT, a esquerda ou o progressismo no Brasil extrapolou níveis de impulsionamento que antes só pertenciam à extrema-direita.
Há um dado falso que envolve idealizar uma polarização entre extrema-esquerda e extrema-direita, o que é incorreto do ponto de vista técnico. O PT e o Lula são pactuadores; o Lula é um balconista da burguesia brasileira, então jamais seria de extrema-esquerda. Ele é alguém que agrada a gregos e troianos: com uma mão atende à burguesia e, com a outra, à classe trabalhadora. Já do outro lado, nós temos uma via muito extrema, encabeçada pelo outro candidato que, pelo que tudo indica, vai sofrer uma reviravolta — e nós torcemos por isso.
